31 outubro, 2005

Meus amigos já conhecem minha fama de "televiseiro". Desde criança sou chegado em TV. É quase automático chegar em casa e ligar o aparelho, mesmo só pra ouvir enquanto faço outras coisas. Ou ficar zapeando os canais da TV paga. A "inteligentsia" torce o nariz para qualquer produção televisiva. Puro preconceito adquirido. Eu reconheço até que foi a TV quem me fez gostar de literatura, música, cinema...Em Ermelino Matarazo, periferia paulistana onde nasci eu não teria acesso à qualquer produção cultural se não fosse pelo que chegasse na tela pequena. Na minha infância, apesar dos parcos recursos, havia televisão. Na periferia pode faltar bife durante a janta, mas a novela das oito é sagrado!

Mas a TV tem seu lixo. A novela "América", que termina essa semana, é um exemplar bem-acabado de uma dramaturgia pobre que assola a TV aberta. Como estou sem TV paga temporariamente, para fugir do vício internetico, vejo alguns capítulos. Deus do céu! É ruim demais. Um festival rocambolesco de inverossimilhanças. Uma heroína sem carisma, Miami com cara de Jacarepaguá, americanas esteriotipadas, mexicanos que entendem português melhor do que brasileiros... As novelas da Glória Perez sempre apelaram para fantasia beirando a papagaiada mas essa foi a mais over. E o pior é ver que a trama dá Ibope.
O brasileiro ficou menos exigente ou Janete Clair, Ivani Ribeiro e Dias Gomes eram "sofisticados" demais? Já vai tarde...